O que é pecado? As 5 palavras do Evangelho [Parte 1]

por | out 16, 2026 | Portuguese

Minha igreja realizou recentemente a sua Escola Bíblica de Férias (EBF). Na nossa EBF usamos um sistema de cinco dias. Esse sistema ensina as crianças sobre Cristo, dá a elas a oportunidade de responder à Sua oferta de salvação e oferece um pouco de discipulado para que saibam o que significa ser cristão. O sistema de cinco dias tem um tema para cada dia, que são os seguintes: Pecado, Juízo, Culpa, Salvação e Dever (ou Vida Cristã). Como ajudei a montar esse sistema, pensei que seria legal fazer a minha própria série de cinco artigos sobre esses temas, e é isso que vamos fazer hoje!

O que é pecado?

O que é pecado? O dicionário Merriam-Webster define pecado como “uma ofensa contra a lei religiosa ou moral, uma transgressão da lei de Deus”. Você provavelmente está pensando: “Ora, é óbvio que é isso; todo mundo sabe o que é pecado.” O problema com essa definição é que ela é vaga e não reflete a palavra usada no hebraico ou no grego originais. Na verdade, ela é uma generalização de três palavras semelhantes na Bíblia: pecado, iniquidade e transgressão. Na EBF, definimos pecado como “qualquer coisa que você faz, diz ou pensa que desagrada a Deus”. Essa é uma maneira boa e simples de defini-lo para que uma criança entenda, mas falta a profundidade do significado do pecado nas Escrituras.

Então, como definimos pecado? Bem, acontece que é extremamente fácil. As palavras traduzidas como “pecado” têm exatamente o mesmo significado tanto no hebraico quanto no grego, o que significa que não há espaço para debate sobre o que pecado realmente significa. Na verdade, o seu uso original nem era para definir “transgressão da lei”. A palavra foi escolhida justamente por ser uma analogia visual para ensinar o próprio conceito de pecado.

Tanto no hebraico quanto no grego, pecar significa “errar o alvo”, e nas duas línguas é um termo do arco e flecha. Então vamos ao campo de tiro com arco atirar algumas flechas para entender melhor o significado da palavra.

Imagine comigo por um momento:

Você está com o seu melhor amigo, com o arco e as flechas prontos. É um dia lindo. O sol está brilhando, os pássaros estão cantando e você está cercado por um belo bosque. Antes de você atirar no primeiro alvo, seu amigo lhe dá um conselho.

“Certo, está vendo aquele alvo redondo ali? Está vendo aquela marca bem no centro? Ela se chama ‘mosca’. É nela que você precisa acertar.”

Você ouve o conselho, acena com a cabeça e dispara a flecha do arco. Tuuum! A flecha sai do arco em alta velocidade! Ela voa pelo ar, passa do alvo e cai no gramado lá embaixo. Seu amigo dá uma risadinha e diz:

“Bem, acho que você errou o alvo…”

Nos tempos bíblicos, quando um arqueiro atirava em um alvo e errava, para dizer “você errou o alvo” dizia-se “você pecou”. Não é muito diferente de uma bola fora ou de uma falta no tênis. A sua tarefa era colocar algo dentro da área válida de jogo, mas, como você não acertou, não atirou ou não lançou em linha reta, aquilo caiu em algum lugar fora dos limites.

Essa ideia de ser “reto” é um conceito enfatizado na Bíblia. A palavra hebraica para “ser justo” significa literalmente “ser reto”, e ela é associada mais frequentemente a andar em linha reta. Podemos ver essa ideia claramente em Provérbios 4:25-27:

Os teus olhos olhem direitos, e as tuas pálpebras olhem diretamente diante de ti. Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem-ordenados! Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal.

Esse conceito de “andar reto” vem do estilo de vida nômade do povo hebreu. Ao viajar de um lugar para outro, especialmente em longas distâncias, é fácil se perder sem um ponto de referência. Então, o que fazer? Você descobre para onde precisa ir enquanto ainda tem um ponto de referência, se alinha com o próximo destino e caminha em linha reta até chegar lá. Enquanto você andar reto, chegará ao seu destino; mas, se virar para a esquerda ou para a direita, mesmo que só um pouco, corre o risco de perder o rumo e se perder. É por isso que “reto” é usado para representar a moralidade. Deus fez um caminho “reto” para andarmos. Enquanto permanecemos nesse caminho, estamos seguros e a bênção de Deus pode estar sobre nós; mas, quando damos um passo fora desse caminho, perdemos o rumo, começamos a redefinir qual é o caminho certo e passamos a andar em um círculo de pecado.

Já que “ser justo” significa “ser reto”, seria de esperar que o pecado carregasse a ideia oposta: “não reto” ou “torto”. E, como você esperaria, é exatamente isso. No caso da palavra “pecado”, se tivéssemos atirado a flecha reto no alvo, teríamos acertado; mas, como desviamos para a esquerda ou para a direita, erramos o alvo e a flecha caiu fora dos limites.

Agora que entendemos o significado da palavra “pecado”, vamos comparar os tipos de pecado e ver as diferenças entre eles. (Veja se você consegue perceber os paralelos com a ideia de “retidão”.)

Pecado: Pecado significa “errar o alvo”. Carrega a ideia de pretender fazer algo, mas falhar. Como diz Romanos 3:23, todos “destituídos estão da glória de Deus” — isto é, ficamos aquém do alvo. O pecado pode ser intencional ou não, e é a palavra mais geral para dizer “uma ação errada”. Quando você diz que você ou outra pessoa pecou, está simplesmente afirmando que a pessoa errou.

Iniquidade: A palavra iniquidade em hebraico significa literalmente “estar curvado, encurvado ou torcido”. Carrega a ideia de perverter algo, pegando algo bom e torcendo-o para o mal. A ação que a pessoa está praticando pode não ser má em si mesma, mas o propósito com que ela é feita é movido por intenções más ou imorais. A iniquidade é sempre um ato intencional.

Transgressão: Transgressão e ofensa (ou “delito”) muitas vezes são intercambiáveis nas Escrituras e significam: “ir além ou para o lado, ultrapassar”. Carregam a ideia de “passar de uma linha” ou “desviar-se de um caminho”. O transgressor sabe o que deve fazer e o que se exige dele, mas mesmo assim escolhe desobedecer. Ele “ultrapassa” a linha que Deus lhe deu e “invade” um território onde foi instruído a não entrar.

Isso é tudo por hoje. Não deixe de conferir o próximo artigo, em que falamos sobre o Juízo.

Clique aqui para ir para a Parte 2

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